Consumo excessivo de chocolate pode prejudicar criançasO consumo excessivo de chocolate pode acarretar perigos para a saúde das crianças, o que exige dos pais um controle melhor da quantidade consumida, principalmente na Páscoa, quando é comum os filhos exagerarem no consumo de chocolate. É o que afirmam profissionais ligados à área de nutrição e psicologia da Casa Movimento, que realiza trabalho multidisciplinar voltado à melhoria da qualidade de vida, desenvolvido principalmente em escolas, empresas e condomínios.
De acordo com os técnicos da entidade, as tabelas nutricionais das embalagens dos ovos de chocolate, mesmo dos produtos voltados para o público infantil, não trazem a indicação de consumo para as crianças e, sim, só para os adultos, o que pode induzir os pais ao erro na oferta do chocolate aos filhos. Ou seja, um chocolate de 300 calorias representa 15% da dieta de 2.000 calorias recomendada para a mulher adulta e 12% da dieta de 2.500 calorias diárias para o homem adulto.
Já na comparação com as necessidades diárias de uma criança de 6 ou 7 anos idade, o volume representa cerca de 20% do consumo de calorias indicado, ou seja, se uma criança consumir um ovo de chocolate tamanho 15 estará ingerindo mil calorias, mais da metade de sua necessidade diária, que é de cerca de 1.500 calorias. Segundo a nutricionista Mariana Lourenzo Jacob, o consumo de chocolate é exagerado durante todo o ano e, na Páscoa, isso se acentua, devido à oferta.
“Isso fica muito exagerado, o que é ruim para a criança devido ao excesso de gordura e açúcar, que acaba criando riscos maiores para ela, a longo prazo, desenvolver doenças cardiovasculares e excesso de peso. Nós estamos preocupados não só com a Páscoa, mas com o consumo no ano inteiro.” Apesar de não existir uma tabela específica indicando a quantidade ideal para o consumo das crianças, as nutricionistas da Casa Movimento criaram uma tabela para orientar os pais.
Pela tabela, crianças de 3 a 5 anos podem comer um bombom pequeno, duas vezes por semana; de 6 a 9 anos, dois bombons pequenos ou uma porção de 20 g de chocolate, duas vezes por semana; 10 anos ou mais, dois bombons médios ou uma porção de 30 g de chocolate, no máximo, três vezes por semana. Mariana reforçou ainda que o consumo diário e elevado de chocolate pelos adultos também acarreta problemas de saúde.
“O ideal é não ingerir essa quantidade absurda de chocolate que as pessoas vem comendo e de outras guloseimas em geral. É bom também procurar uma orientação profissional para saber como ter uma alimentação mais saudável, além de praticar atividades físicas”, recomenda. Segundo ela, para os adultos, o indicado é ingerir dois bombons médios ou uma fatia de 30 g de chocolate, no máximo três vezes por semana. De chocolate amargo, podem ser consumidas cerca de 12 g por dia.
Porém, se a pessoa estiver em dieta para controle de peso, a periodicidade é de, no máximo, duas vezes por semana. Mariana lembrou que, além dos problemas a longo prazo, o consumo excessivo do chocolate pode levar a problemas imediatos tanto para crianças como para adultos. “Pode levar à uma diarréia, náusea, má digestão e alergia alimentar”, conclui.
Um dos fatores que auxilia no descontrole do consumo do chocolate no período de Páscoa, é a grande oferta de produtos como forma de brinde. “Nós entendemos que os produtos não devem ter esse tipo de apelo e publicidade infantil. Deve-se evitar e não se deve misturar a alimentação com brincadeiras. Isso acaba levando a um equívoco na educação alimentar da criança. Esses produtos já têm apelos suficientes para as crianças”, afirma o assessor técnico do Idec, Marcos Pó.
Por fim, a psicóloga da Casa Movimento, Carolina Sales, conta que o segredo para evitar o excesso da ingestão de chocolate pelas crianças é não colocar o consumo como algo proibido, além de diversificar os presentes, não ficando apenas no chocolate. “Os pais devem colocar isso de forma mais sutil, utilizando brincadeiras com a Páscoa e seus elementos, além do ovo de chocolate, como o coelhinho, a cenoura. E ter o chocolate também porque ele faz parte”, finaliza.
Fonte: Agência Brasil