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Brasileiros comem mal em casa e mais na rua

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As transformações socioeconômicas vividas pelo país nos últimos anos são algumas das razões que explicam porque o brasileiro está comendo mais fora de casa. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a consultoria GS&MD Gouvêa de Souza, como hoje há mais pessoas empregadas, o faturamento do mercado food service dobrou no período de 2005 a 2010, passando de R$ 96 bilhões para R$ 181,1 bilhões respectivamente.

Para a GS&MD, as famílias contribuíram com estes números, gastando 31% neste ano, ante 24,1% em 2002. Entre as regiões do país, o Sudeste é, de longe, o que mais consome fora de casa, com despesas de 37,2% do total gasto com alimentação, seguido do Centro-Oeste, com comprometimento de 30,1%.

Por outro lado, o IBGE revela que o brasileiro está comendo mal em casa. As frutas e verduras, que deveriam corresponder a uma proporção entre 9% e 12% das calorias diárias ingeridas, representam 2,8%. Enquanto que os alimentos essencialmente calóricos (óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes) atingem 28% das calorias consumidas.

Entre os consumidores da classe A (20%) o consumo desses alimentos ultrapassa a proporção recomendada por nutricionistas, que é de 30%, e alcança 31,8%. Os dados fazem parte do levantamento Avaliação Nutricional da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos no Brasil, feito pelo IBGE, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009.

Ou seja, a classe A compromete quase metade de seus gastos (49,3%) com alimentação fora do lar, enquanto que no outro extremo, as classes sociais D e E comprometem apenas 17,2% do total.

Para Fabiana Castro, diretora da  GS&MD Gouvêa de Souza que foi responsável pelo levantamento, os 1.224 entrevistados (das grandes capitais) apresentaram cinco itens como fundamentais na hora da escolha do local onde realizam a refeição. O principal é a qualidade do produto (32%); seguido por estabelecimento (19%); preço (18%); conveniência (16%) e serviço (15%).

"Ao contrário do que imagina o senso comum, o preço ocupa apenas a terceira opção entre as preocupações do consumidor na hora da escolha do estabelecimento. Entretanto, percebemos que a importância cresce conforme o mês passa, já que quase 30% disseram determinar o gasto de acordo com a disponibilidade financeira do dia", explica a diretora.

O Brasil cresceu três vezes mais que a média das economias mais desenvolvidas nos últimos cinco anos. A classe C já representa quase metade desta população e as mulheres contribuem com 43% do total de trabalhadores ativos.

Fonte: Diário do Comércio