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Hipoteca não é sinônimo de crise

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As hipotecas, modalidade de crédito onde se coloca um bem como garantia de um financiamento  e um dos principais elementos da crise dos subprimes nos Estados Unidos em 2008, tem muito espaço para crescer no Brasil, mas com consciência. “Hipoteca no Brasil: os cuidados para não repetirmos os mesmos erros dos países desenvolvidos” foi tema de palestra, nesta quarta-feira (01/06), no CCMCC.

No mercado imobiliário a hipoteca é muito usada onde o construtor/incorporador coloca um terreno como garantia das operações. E os principais bancos do País, como o Bradesco, por exemplo, oferecem esse tipo de operação. José Augusto Périgo, consultor de Segmentos da Serasa Experian, lembra que no ano fiscal de 2010 houve crescimento de 65% no volume de financiamentos. “Três pilares levaram a esse aumento: momento econômico favorável, aliado a manutenção das taxas de juros e o marco regulatório para o setor, com a alienação fiduciária”, aponta.

“Não é preciso voltar muito no tempo para ver que houve uma anemia nesse mercado. Em 2005, foram concedidas apenas 30 mil unidades de hipotecas no País, já no ano passado foram 450 mil”, ressalta Osmar Martinez, gerente Departamental da área de Crédito Imobiliário do Bradesco. O executivo reforça o fortalecimento do mercado colocando que hoje o País tem mais de 6 milhões em déficit habitacional e que, no ano passado, apenas com recursos da caderneta de poupança foram R$ 56 bilhões em financiamento imobiliário - um crescimento de 1000% no comparativo de cinco anos. 

Antigamente, em uma operação hipotecária, 100% de uma obra era financiada no Bradesco. Olhando para o exemplo do mercado externo, onde houve crise dos subprimes, o setor criou escudos. “Financiamos agora, como prática de mercado, 80% do empreendimento e o terreno onde é construído, muitas vezes, é a própria garantia”, explica.

Martinez coloca que é preciso ter uma concessão de crédito consistente para que no momento em que a torneira secar em relação a poupança, o próprio ativo gerado pelo setor seja o funding que provê a sustentabilidade do sistema. “Nos próximos anos a curva de crescimento não será tão acentuada, mas continuará positiva. O risco inerente ao nosso mercado existe”, encerra.

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