Friday, Apr 25th

Last update11:16:44 PM GMT

Você esta aqui: Negócios Finanças Classe média: A bola da vez

Classe média: A bola da vez

E-mail Imprimir PDF
A Nova Classe Média começa a mudar a cara do Brasil e mostra que veio pra ficar. Em 2001, a classe C representava 38,6% dos brasileiros, hoje é composta por 53,9% da população. São cerca de 104 milhões de pessoas que viram sua renda melhorar, se estabeleceram no mercado de trabalho e que, com o acesso ao crédito, ampliaram seu poder de consumo e passaram a acessar lugares que antes estavam restritos ao público da tradicional, e antiga, classe média.

De acordo com Renato Meirelles, sócio diretor do Data Popular, a Nova Classe Média deixou de ser um nicho para se transformar no novo mercado brasileiro. “Apenas em 2011, essa classe movimentou R$ 1,03 trilhão e segundo estatísticas ela é mais rica que 62% da população mundial. É esse público que tem mantido a economia em ascensão”, afirma.

Diante de tal representatividade, as empresas passaram a olhar para esse consumidor de outra maneira. Porém, ainda subestimam sua inteligência, pois muitas empresas ainda acreditam que a classe C deseja ser como as classes A e B. Um grande equivoco. Segundo Meirelles as referências são completamente distintas, um exemplo é a estética feminina. Nas classes altas o padrão de beleza da modelo Gisele Bundchen é ideal, já na classe C as formas curvilíneas prevalecem.

E por falar em mulheres, elas aparece como grande protagonista dessas mudanças no Brasil. Ou seja, o público feminino da classe C atualmente contribui mais com a renda familiar. Segundo o executivo, enquanto na elite R$ 25 de cada R$ 100 vem da mulher, na classe C R $41 de cada R$ 100 vem do trabalho da mulher.  Além disso, o Data Popular constatou diante de pesquisas realizadas com os maridos dessas mulheres, que são elas as responsáveis por 86% da escolha dos alimentos que a família consome, 82% das decisões de produtos de higiene e limpeza, 77% do vestuário  e 69% da decisão final de compra de um carro ou moto. “Essa mulher que na classe C estudou mais que o homem lidera o gasto desses R$ 1,03 trilhão, portanto isso é um desafio para profissionais de finanças”, garante Meirelles.

Hoje é fundamental entender esse novo público oferecendo a eles não só produtos que atendam seus anseios, mas também serviços financeiros diferenciados, pois trata de um público que veio de baixo, que cresceu diante de muita garra, diferente da elite tradicional. “Não olhar para esse consumidor é não olhar para quase metade da classe A e B. O Brasil mudou. Esse país fez com que milhares de pessoas que antes não tinham acesso ao consumo passassem a ter. Isso não é um segmento de mercado, é maior parcela do mercado brasileiro. E quem quiser conquistar o coração, a mente e o bolso desse público tem que fazer o exercício de humildade, de conhecer, pesquisar, conversar e dialogar com os homens, e principalmente, com as mulheres da nova classe média brasileira”, conclui Meirelles.