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Público LGBT ganha espaço no mercado

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Após a legalização da união homoafetiva estável, os produtos e serviços oferecidos para o nicho LGBT se mostra um mercado em constante crescimento, com um leque de opções que se expande com a segmentação do setor.

Uma pesquisa foi realizada pelo Data Folha durante a 9ª Parada Gay de São Paulo demonstra que 50% do público LGBT possui nível superior e 20% ganha acima de 5.200 reais. A mesma pesquisa compara com a população ativa da cidade de São Paulo, cujos percentuais são respectivamente 14% e 3%, demonstrando a disparidade entre os grupos analisados.

Os produtos criados especialmente para o consumidor LGBT, chamados gay friendly, vão de pacotes turísticos a cervejas orgânicas, passando por bares e até mesmo pelas bola da vez – as redes sociais e sites de compras coletivas.

Em janeiro deste ano, o Brasil ganhou a primeira rede social criada para o público gay, o GPride, uma rede criada para conectar pessoas com privacidade e exclusividade, para contatos pessoais e profissionais.

Para acompanhar a tendência, foi criado também um site de compras coletivas especializado para a clientela homossexual, o Comprey. O site passará a funcionar na semana da 15ª Parada Gay de São Paulo, uma das maiores do mundo, em junho.

No México, uma cervejaria criou edições voltadas para o público LGBT. As cervejas Salamandra e Purple Hand (mão púrpura, uma referência ao protesto contra a homofobia que aconteceu em San Francisco, no Halloween de 1969, em que os participantes pintaram as palmas das mãos com tinta roxa). A empresa produziu um lote limitado da cerveja, que tem como base malte e mel orgânicos, mas já tem pedidos registrados de diversas partes do mundo, segundo reportagem da BBC Brasil

Um dos setores que mais oferece serviços para o segmento LGBT é o de turismo e entretenimento, com pacotes de viagens, cruzeiros temáticos, bares e restaurantes formatados especialmente para atender a este público. Segundo reportagem do Terra, na Argentina a legalização do casamento gay rendeu uma alta no turismo, com 21% de gays entre os visitantes da cidade de Buenos Aires.

O público homossexual tem opiniões formadas e, até, divergentes sobre o assunto. Para a jornalista Mariane Rodrigues, o aumento da demanda de produtos gay friendly fundamental, pois o público LGBT é um dos que mais consome e diz que investir nisso é inteligência. "Eu tenho visto muitos produtos nao diretamente feitos para o público gay, mas simpatizante, que acompanham nosso estilo diferenciado, as lojas estao captando mto bem isso", diz a jornalista que acrescenta: "Isso não deixa de ser uma vitória, é uma forma de quebrar o preconceito e de humanizar nossa opção sexual, de verem que não somos promíscuos, que temos valores, princípios, somos humanos e merecemos respeito".


Já o despachante aduaneiro José Ronaldo de Jesus encara o aumento da oferta de produtos e serviços especializados como mera mudança mercadológica. "Não acho que isso ajude a dissipar o preconceito, acho benéfico em termos de mercado, mas não vejo isso como uma revolução, mas, apenas como consequência lógica da segmentação dos mercados".
 

No Brasil alguns serviços exclusivos estão sendo criados para atender o estilo dos homossexuais, como o site de compras coletivas com produtos totalmente voltados para seus hábitos de consumo. “Identificar seus gostos e necessidades, adaptar e criar produtos e serviços, treinar seus funcionários e integrar seus clientes são apenas alguns dos desafios apresentados às empresas e empresários”, diz o professor da Universidade Mackenzie e especialista em estratégias empresariais, Marcos Morita.