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Quem tá ganhando?

Publicado em 02/07/2009 por Ticiana Werneck

O mercado de games para celular cresce a cada ano. Conversamos com uma executiva de uma das maiores desenvolvedoras desses games no mundo, para entender como esse mercado se comparta aqui no Brasil.

O mercado de games para celular cresce a uma velocidade impressionante no mundo todo. No Brasil não é diferente esteja muito atrás de Japão, Estados Unidos e Europa.

De acordo com a Gameloft, empresa de desenvolvimento e edição de jogos para celular e consoles, enquanto no Japão a penetração desses jogos é de 12%, aqui é de 2% - em ascensão. “Ainda é um mercado jovem”, explica Jorgelina Peciña, gerente de marketing para América Latina da Gameloft. “Mas o potencial é enorme”, complementa.

Esse potencial se explica ainda pelo fato de poucos consumidores aqui possuírem consoles. Celulares e PCs acabam assim virando as principais plataformas de jogo. É uma das razões que explica o vigor com que a Gameloft tem, desde 2006, promovido o desenvolvimento local deste mercado. Os resultados já aparecem. Em 2008, as vendas aumentaram 43% na América Latina. Nada mal, para a empresa que fatura globalmente €110,3 milhões ao ano.

Consumidor Moderno: O mercado brasileiro de games para celular ainda é pequeno se comparado a outros países que já tem tradição em games. Qual é a previsão?

Jorgelina Peciña: O mercado brasileiro tende a evoluir e ganhar novos adeptos. O principal desafio é aumentar e difundir, em parceria com as operadoras e fabricantes de aparelhos móveis, o uso de jogos para celular. Muitas pessoas não sabem que existem jogos móveis para todos os gostos; muitas nem sabem como fazer o download do jogo no celular. Tendo em vista este fato, nós temos que atrair consumidores e mostrar como é fácil jogar por um aparelho móvel. O Brasil tem tudo para estar entre os mercados mais promissores porque tem uma base grande de aparelhos vendidos. Só precisamos criar essa cultura.
As redes 3G também devem contribuir para isso. Assim como os novos telefones, que oferecem muito mais capacidade para os usuários de jogos para celulares. Esses aparelhos que começam a chegar ao mercado, com telas de qualidade superior e uma maior capacidade de download são melhores para jogar.

CM: Quais games fazem mais sucesso aqui? Por que?

JP: Os jogos mais vendidos no Brasil são os de esportes (futebol), corrida e ação. Estes jogos representam 50% do mercado. Aqui, o perfil dos jogadores é jovem, entre 25 e 30 anos e do sexo masculino. É curioso pois nos EUA, por exemplo, as mulheres fazem mais downloads de jogos do que os homens.

CM: Quais os principais entraves para que o brasileiro realmente adote o game para celular?

JP: O principal é o custo acessível do tráfego de dados. Não é viável para o consumidor pagar mais pelo tráfego de dados do que pelo próprio conteúdo. Algumas operadoras já interferiram, outras vão ter que adaptar suas taxas.
Preço do jogo é a segunda questão chave para alcançar o mercado de massa. O preço médio de R$10,00 pode ser considerado caro aqui se levarmos em conta as condições econômicas do país. Claro que alguns jogadores vão comprar jogos independentemente do preço, mas se quisermos aumentar a penetração, não existe nenhuma outra solução a não ser produzir jogos de alta qualidade a preços razoáveis.

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